Incontinência urinária feminina: perda ao esforço, urgência e quando o sling é indicado

Por Dra. Marília Buenos Aires, urologista em Teresina (CRM-PI 5831 | RQE 2754). Atualizado em 20 de outubro de 2026.

A incontinência urinária feminina é a perda involuntária de urina, e acontece com muito mais mulheres do que se imagina. Muitas passam anos usando protetor diário, evitando a academia ou segurando a risada por medo de escapar urina, e só falam disso na consulta quando alguém pergunta. Existe tratamento para cada tipo de incontinência, e na maior parte das vezes ele começa sem cirurgia.

Quais são os tipos de incontinência urinária na mulher?

Saber o tipo de perda é o primeiro passo, porque o tratamento muda bastante de um para outro. São três situações principais:

  • Incontinência de esforço: a urina escapa quando a pressão na barriga aumenta, ao tossir, espirrar, rir, pular ou carregar peso. Acontece quando os músculos e ligamentos que sustentam a uretra perdem força, o que é mais frequente depois de gestações e partos e com a menopausa.
  • Incontinência de urgência: vem uma vontade forte e repentina de urinar, e a urina escapa antes de chegar ao banheiro. Costuma vir junto com idas frequentes ao banheiro, de dia e à noite, e faz parte do quadro chamado bexiga hiperativa.
  • Incontinência mista: a mulher tem os dois tipos ao mesmo tempo. É bem comum, e nesses casos o tratamento começa pelo sintoma que mais incomoda.

Como é feito o diagnóstico?

Na maioria das mulheres, a conversa no consultório e o exame físico já mostram o tipo de incontinência. Pedimos que a paciente conte em que situações perde urina e, muitas vezes, que preencha um diário miccional por alguns dias, anotando quanto bebe, quantas vezes urina e quando acontecem as perdas. Um exame de urina ajuda a afastar infecção, que pode piorar os sintomas.

O estudo urodinâmico não é necessário para todas as mulheres. Ele é indicado quando os sintomas são mistos e não fica claro qual predomina, quando já houve cirurgia anterior para incontinência, quando há dificuldade para esvaziar a bexiga ou antes de algumas cirurgias. Explicamos como ele funciona neste artigo sobre o estudo urodinâmico.

Qual é o primeiro tratamento?

As diretrizes da Associação Americana de Urologia (AUA/SUFU) e da Associação Europeia de Urologia (EAU) colocam o tratamento conservador como primeira opção, tanto na perda ao esforço quanto na urgência. Para a incontinência de esforço, o principal recurso é a fisioterapia do assoalho pélvico, com exercícios orientados por fisioterapeuta durante pelo menos três meses. Uma revisão da Cochrane mostrou que as mulheres que fazem esse treinamento têm mais chance de cura ou melhora do que as que não fazem.

Algumas mudanças de hábito também ajudam: perder peso quando há sobrepeso, tratar a tosse crônica e a prisão de ventre e ajustar a quantidade e o horário dos líquidos. Na incontinência de urgência entram ainda o treino da bexiga, que aumenta aos poucos o intervalo entre as idas ao banheiro, a redução da cafeína e, quando necessário, remédios que acalmam a bexiga. Depois da menopausa, o estrogênio vaginal em baixa dose pode ajudar nos sintomas de urgência.

Perda de urina depois do parto é normal?

Perder urina ao tossir, espirrar, correr ou fazer exercício nos meses depois do parto é comum. Uma revisão que reuniu dezenas de estudos mostrou que cerca de uma em cada três mulheres tem algum grau de perda nos três primeiros meses após o nascimento do bebê. Na maioria das vezes trata-se de incontinência de esforço: a gestação e o parto estiram os músculos e ligamentos do assoalho pélvico que sustentam a uretra, sobretudo no parto vaginal com bebê grande, período expulsivo longo ou uso de fórceps. A cesárea diminui esse risco, mas não o elimina, porque a própria gravidez já sobrecarrega essa musculatura.

Muitas mulheres melhoram ao longo dos primeiros meses, à medida que os tecidos se recuperam, e a fisioterapia do assoalho pélvico pode começar já no puerpério, com orientação de fisioterapeuta. A diretriz do NICE, do Reino Unido, recomenda oferecer esse treinamento ainda durante a gestação, porque ele reduz a chance de perda de urina no fim da gravidez e nos meses seguintes ao parto, segundo uma revisão da Cochrane.

O que não deve acontecer é a mulher passar anos convivendo com os escapes como se fizessem parte da vida de mãe. Procure avaliação se a perda continua depois de três meses do parto, se piora, se atrapalha o treino, o trabalho ou a vida a dois, ou se vem junto com sensação de peso ou de “bola” na vagina, que pode indicar prolapso. Ardência ao urinar, febre ou dificuldade para esvaziar a bexiga pedem atendimento mais rápido.

Quanto ao sling, em geral a cirurgia fica para quando a mulher não planeja mais engravidar, porque uma nova gestação e um novo parto podem fazer a perda voltar. Quando a incontinência atrapalha muito e ainda há planos de gravidez, o melhor momento para operar é decidido caso a caso.

Quando o sling é indicado?

O sling é uma cirurgia para a incontinência de esforço. Ele é indicado quando a perda continua atrapalhando o dia a dia mesmo depois da fisioterapia, ou quando a mulher, já informada das opções, prefere o tratamento cirúrgico. Uma faixa fina é colocada sob a uretra e passa a dar apoio no momento do esforço. A cirurgia é curta, feita com raquianestesia, e em geral a alta acontece no dia seguinte.

O sling não trata a incontinência de urgência. Por isso a avaliação antes da cirurgia é tão importante: na mulher com sintomas mistos, a urgência pode continuar depois da operação e precisar de tratamento próprio. Como é feita a cirurgia, como é a recuperação e o que se sabe sobre a segurança da tela estão na página da cirurgia de sling em Teresina.

E quando a incontinência de urgência não melhora?

Quando mudanças de hábito, fisioterapia e remédios não resolvem, existem outras opções feitas pelo urologista, como a aplicação de toxina botulínica na bexiga por cistoscopia e a neuromodulação. A escolha depende dos sintomas, dos exames e da preferência da paciente.

Quando procurar um urologista?

Perder urina não precisa ser aceito como algo normal da idade ou do pós-parto. Procure avaliação se a perda atrapalha sua rotina, se você passou a evitar atividades por causa dela ou se acorda várias vezes à noite para urinar. Sangue na urina, dor ao urinar ou infecções de repetição pedem investigação antes de qualquer tratamento da incontinência. Veja também quando procurar um urologista.

Perguntas frequentes sobre perda de urina no pós-parto

Quem fez cesárea também pode ter perda de urina?

Pode. O risco é menor do que depois do parto vaginal, mas a própria gravidez, com o peso do útero e as mudanças hormonais, já sobrecarrega o assoalho pélvico. Por isso a avaliação e a fisioterapia também são indicadas para quem teve cesárea e continua perdendo urina.

Posso fazer a cirurgia de sling se ainda quero ter filhos?

Em geral a cirurgia é adiada até a mulher não planejar mais gestações, porque uma nova gravidez e um novo parto podem fazer a perda voltar. Enquanto isso, a fisioterapia do assoalho pélvico é o tratamento principal. Quando a perda atrapalha muito, o momento da cirurgia é discutido caso a caso com a urologista.

Principais pontos

  1. A incontinência urinária feminina tem três tipos principais, de esforço, de urgência e mista, e cada um tem tratamento diferente.
  2. Fisioterapia do assoalho pélvico e mudanças de hábito são a primeira opção, conforme as diretrizes da AUA/SUFU e da EAU.
  3. O sling é indicado para a incontinência de esforço que continua atrapalhando o dia a dia depois do tratamento conservador.
  4. O sling não trata a urgência, por isso a avaliação do tipo de perda vem antes de qualquer cirurgia.
  5. Depois do parto, a perda de urina é comum e muitas vezes melhora nos primeiros meses. Se continuar após três meses ou atrapalhar a rotina, procure avaliação.

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Saiba mais: Cirurgia de sling para incontinência urinária · Cistoscopia flexível em Teresina

Conteúdo escrito pelos urologistas da Devant Urologia, em Teresina: Dra. Marília Buenos Aires (CRM-PI 5831 | RQE 2754) e Dr. Rodrigo Beserra Sousa (CRM-PI 4345 | RQE 2826), ambos titulares da Sociedade Brasileira de Urologia. As informações têm caráter educativo e não substituem a consulta médica.

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